Arquivo do mês: setembro 2010

Carbono 14

Desconstruindo: não há aqui relatos notáveis sobre um ser. Nada de grandes feitos, nem descobertas incríveis, tampouco intensas paixões. Tudo que se espera de alguém suficientemente relevante a ponto de ser memorável em um sem-tempo definido, aqui não haverão de encontrar.

Decepção: para aqueles que aguardavam, ansiosos, um pomposo nome das artes, do mundo esportivo ou da física quântica aplicada à arqueologia do Carbono 14, nestas palavras essa descrição não se faz presente. Contentem-se, no entanto, a conhecerem um alguém que soube andar de bicicleta – sem as rodinhas de apoio – antes de alcançar uma idade de dois dígitos; uma proeza. Saibam, também, que foi com a mesma faixa etária do um dígito (7, para os mais rigorosos) que este indivíduo aprendeu a combinar e reconhecer as palavras que agora o descrevem.

Divagações: sobre a perenidade do que aqui pode ser relatado, resulta-se, na verdade, muito-pouco-quase-nada. Da incerteza inerente ao ser desdescrito aqui, o silêncio, a abreviação, têm muito a dizer (são eloquentes). Aliás, uma canção, toda cheia de vácuos e momentos de som ausente, seria uma canção pertinente a este propósito.

Conclusão (para os que apostaram em parágrafos apenas começados em “d”): o inconcluso. Mas antes, reparem, o contraditório. E perdoem a repetição: se aqui buscavam algo de extraordinário, óbvio, não encontraram. Aliás, eis aí uma característica desvalorizada pelo indivíduo sobre o qual tentam entender neste momento: a criação de expectativas. Quer ser surpreendido, ou simplesmente não decepcionado por algo? Não crie, então, expectativas – elas são ruins.

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[O novo texto do ‘About’.]

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