Arquivo do mês: junho 2008

Falando nisso…

O post ‘São tantas emoções’, logo abaixo, me fez lembrar de um vídeo que produzi ano passado como abertura de um seminário sobre “Showrnalismo – A notícia-espetáculo”, para a disciplina de História da Comunicação, na faculdade de Jornalismo. Enfim:

Anúncios

2 Comentários

Arquivado em Geral

Customização

Da série ‘Faça você mesmo’:

O Volatilidade completou um ano no último dia 19 de junho. Para comemorar (?), mudei a imagem do cabeçalho. A foto – sim, é uma foto – é de minha autoria. Acreditem, uma câmera semi-profissional, com um tempo maior de abertura do diafragma (que controla a entrada de luz), pode “pegar delírio” na captura de imagens subjetivas.

No mais, espero que esse novo ano volátil que se segue tenha um volume maior de posts, e charges – a nova sensação do momento! – por essas bandas.

Obrigado pelas visitas e, mais uma vez, não evaporem, leitores voláteis.

***

Volatilidade. Porque as coisas evaporam rapidamente.

2 Comentários

Arquivado em Geral

São tantas emoções

Um close na mãe que chora a perda do filho; um acidente grave, de preferências com vítimas graves; sangue, muito sangue; grandes catástrofes; desastres; violência. O jornalismo na TV tem sempre um quê de emoção. É quase uma pré-condição da noticiabilidade neste meio que a atenção do telespectador esteja sempre voltada ao visual.

Não se trata de sensacionalismo. Pelo menos não em todos os casos. Tem mais a ver com o poder de captação da atenção de quem assiste. Ou seja, a importância de um fato, a ponto de virar noticiável na TV, está diretamente relacionada ao valor-imagem do acontecimento. Claro que não é sempre assim, mas freqüentemente o tempo dispensado no meio televisiviso ao-que-quer-que-seja apóia-se sempre no quanto este o-que-quer-que-seja possa render visualmente.

John Langer, em seu livro Tabloid television, afirma que as notícias na televisão são um “espetáculo gratuito”, e que as imagens filmadas geram, conseqüentemente, um conteúdo superficial. Além disso, o autor defende que elas não passam de um produto mercantil regulado por encargos de marketing, que tentam fazer aumentar a audiência por razões comerciais, não jornalísticas. Para Langer, as notícias na TV tratam de assuntos banais com um suspeito sentimentalismo e são, em sua maioria, exploradoras.

Pode ser que o autor generalize um pouco demais, mesmo porque o tema central de seu livro é o sensacionalismo televisivo. Mas não é exagero afirmar que o telejornalismo seja pautado pelas imagens, e por uma busca contínua pela atenção e emoção dos telespectadores. Na televisão – diferentemente dos meios impressos, em que o leitor seleciona suas editorias de interesse – há uma necessidade maior em segurar o telespectador em frente ao aparelho, garantindo a audiência. Para que isso aconteça, vale até trilha sonora em programas policiais. Tudo emocionalmente calculado.

***

[Da série ‘Combo’. Texto e charge de autoria da pessoa que vos escreve. Também publicado no blog Bola da Foca.]

1 comentário

Arquivado em Geral

Sorria, você está sendo controlado

Dia desses eu estava caminhando pelo centro de Ourinhos, minha querida cidade natal, no interior de SP, quando reparei – e alguém explicou – que a Prefeitura Municipal, em parceira com a Associação Comercial e a Polícia Militar, instalou dezenas de câmeras de segurança na região central do município. Que eu saiba, criminalidade nunca foi o forte de Ourinhos. Mas alegando prezar pela segurança de seus cerca de 100 mil habitantes, as autoridades implantaram as tais câmeras, constituindo um moderno sistema de vigilância e monitoramento.

A constatação do Grande Irmão ourinhense me fez notar o quanto as profetizações de George Orwell, Michel Foucault e cia. se concretizaram (ou estão se concretizando). Onde quer que se vá hoje em dia, nos mais diversos lugares públicos e privados, elas, as câmeras, nos acompanham. Ruas, avenidas, escolas, shoppings centers, supermercados, elevadores, condomínios. Tudo é monitorado.

Muito além do propósito “segurança”, o emaranhado vigilante, presente em praticamente todo o mundo, constitui uma grande ferramenta de poder. A manutenção da ordem pela constante observação, o ser-visto-sem-ver, é inerente à existência humana, hoje, por conta do processo de dissecação implantado em uma sociedade vigilante e impessoal.

O modelo do panóptico* generalizado do século XXI é suplantado pela mais alta tecnologia e abastacido pela vontade/necessidade do domínio sobre as massas pelas classes dominantes. As câmeras são os espelhos da sociedade moderna, e refletem a impessoalidade e o individualismo na qual ela está mergulhada.

Disciplinar a sociedade. Dividí-la e classificá-la. Conhecer cada célula social para liderar e governar. Qual seria o limite?

 

* O filósofo inglês Jeremy Bentham (1748-1832) idealizou um sistema de prisão com disposição circular das celas individuais, dividas por paredes e com a parte frontal exposta à observação do Diretor por uma torre do alto, no centro, de forma que o diretor “veria sem ser visto”.

***

[Texto originalmente publicado no blog Bola da Foca. A charge é de minha autoria, a propósito]

Deixe um comentário

Arquivado em Geral