Foi no estratogema do momento que ele se deparou com a solitude. Aquela perseguidência toda que tinha na vida, afinal, não lhe servia de nada. Pensou em rumbetear por alguns segundos, mas a ideia logo pasargadou. Estava sólen.
O baratatonteante era pensar que se passaram decrênios até chegar naquele ponto e, agora, não psicolava como pôde esbarrar no insolível. Que timbramenta desagradável era essa que sentia? Um horror de sentimon.
Na manhã seguinte, porém, já não mais reciprocriava da dontem sensação. Estava são? Não. A ausencitez é algo inexplanável, insastitúvel. Insânico. Às vezes vem, outras também.
“Sobre aquilo de que não se pode falar, deve-se calar.” (Jean-Luc Godard)
Há algumas semanas, o presidente reeleito do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, se referiu à morte de milhões de judeus na Alemanha nazista como “a grande farsa do Holocausto”, acusando Israel de usá-lo para “manipular” seus aliados no Ocidente. A afirmação do líder iraniano foi, antes mesmo de ser infeliz, desnecessária. Por mais que Ahmadinejad, ou o Irã, tenha suas divergências históricas com Israel, nada justifica valer-se de um fato trágico como o Holocausto como instrumento de retórica – pobre – em seu discurso.
Mas os dizeres do presidente do Irã não configuram um caso isolado de negligência verbal de líderes e personalidades públicas no cenário mundial. Há alguns dias, o presidente Lula comparou as buscas aos destroços e vítimas do acidente com o Airbus da Air France à exploração de petróleo. “Um país que pode achar petróleo a 6 mil metros de profundidade pode achar um avião a 2 mil metros”, soltou o delicado presidente brasileiro. Exemplos não faltam, porém, o que se destaca não são estes casos únicos, mas sim a falta de bom-senso daqueles que se valem desses tipos de analogias.
Lula e Ahmadinejad são pessoas públicas, mais que isso, são líderes políticos mundiais, e a repercussão de seus discursos não pode ser ignorada. Claro que qualquer indivíduo, quando profere uma opinião ou análise sobre qualquer assunto, deve ter cautela sobre aquilo que está dizendo, pois verdades absolutas não existem e o que é certo para um, pode ser totalmente errado para outro, mas no caso dos presidentes supracitados, o desleixo verbal é quase imperdoável.
Ser retórico é, antes de tudo, saber ter domínio sobre si mesmo, sobre as próprias ideias, para poder expô-las e defendê-las, mas isso não significa que qualquer opinião, desde que bem apresentada e desenvolvida, seja válida. Até mesmo o Papa Bento XVI, quando toca em pontos polêmicos em seus discursos, está na iminência de provocar protestos e revoltas em adeptos de outras religiões, como ocorreu com os muçulmanos em 2006.
A palavra de ordem é respeito. Não importa sobre o que vai se falar, a noção de respeito é fundamental para o bom entendimento, seja em uma relação interpessoal, ou em uma relação internacional, entre povos e nações. A melhor opção a se fazer quando se pretende falar sobre algo que não se tem certeza, ou sobre aquilo que pode ofender o outro, é calar-se.
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[Mais um texto da série 'Trabalhos de faculdadede que viram posts de blog']
A escrita nasceu do ócio ou do negócio? É complexo – pra não dizer impossível – pensar em uma sociedade sem palavras. “Estou sem palavras”. Mas eu as tenho, até mesmo para dizer que elas me fogem.
Se me perguntam por que escrevo, eu respondo “porque sim”. Não que seja algo questionável, tampouco respondível. Mas há tempos trata de ser inerente – desde a primeira palavra escrita, talvez. Da inquietação, uma propriedade da existência humana.
Dizem os chineses que tudo que nos incomoda, ou faz mal, deve ser exteriorizado. Eles se referem às necessidades biológicas mesmo. Mas assim deve ser com as palavras também, penso. Por que escrever? Por que não arrotar?
Documentar as sensações. Questão profilática. Escrever é terapia, um exercício da organização. Organização em palavras daquilo que é sentido, vivido e experimentado. Se escrevo, é porque vivo. Essa deve ser a razão da escrita: a auto-afirmação da própria existência. Viver apenas não basta, tem que existir. A palavra foi providencial.
Escrever é questinar-se. A busca por respostas e por verdades. Ou por respostas de verdade, mesmo que sejam mentiras. Escrever é ser subjetivo para os outros. Pois quem deve entender seus textos se não você mesmo e apenas você? Quem quer entendê-los?
A palavra é o respiro de existência para uma vida volátil. A solidificaçào das ideias, das mais íntimas às mais públicas.
É, eu sei, o blog está completamente abandonado. Não vou prometer uma retomada, mas a tirinha acima pode ser um novo respiro volátil de existência para ele.
A propósito, a tira é de minha autoria, mas a ideia original da piadinha – quase sem-graça, é bem verdade – é da Cecília.
Como postagens no blog foram raras este ano, vou fazer uma breve retrospectiva do que passou e que provavelmente não foi citado aqui.
Em 2008:
Caso Isabella
A saga da menina que foi jogada pela janela (defenestrada!) deu o que falar. Foi um sensacionalismo de dar nojo; falsos sentimentos por todo lado e, depois de tanta algazarra, ninguém mais lembra da menina. Nem o William Bonner.
Olimpíadas
As manifestações pró-Tibete acabaram assim que a pira olímpica foi apagada, como se tudo não passasse de fogo no rabo.
Sumiço de vara e frustração de Diego Hipólito
Trocadilhos não serão feitos aqui, ok?
CPMF
Acabaram com ela. Agora, leia-se “CSS” (Contribuição Social para a Saúde).
Ingrid Betancourt
Mais pop que o Papa. Segundo fontes fidedignas, ela tem um caso com o Sarkozy e não quer mais saber da Colômbia.
Padre Mary Poppins
O padre Aderli de Carli desapareceu após sair por aí voando com dezenas de balões. Sem mais.
Sobre Ronaldo
Depois de se relacionar com bambis, foi para o Corinthians. Além disso, o carioca que morou os últimos anos de sua vida na Europa acaba de receber o título de “cidadão paulistano”. Moral da história: gordinhos só fazem gordices.
Daniel Dantas
Teje preso!
Crise econômica
Crise?
“Pergunte ao Bush, a crise é dele, não minha” – Lula.
Eleições Municipais
Kassab (É casado? Tem filhos?) ganhou em São Paulo e Gabeira (É casado?!?! Tem filhos?!?!) perdeu no Rio.
Maisa
É um robô? É um anão travestido de criança? É coisa do capeta? Besta do apocalípse? Bonequinha de macumba? Neta bastarda do Silvio Santos? É um pássaro? Um avião? Tá, chega.
Obama
Pura melanina. Sua cabeça está, agora, mais valorizada no mundo dos franco-atiradores.
Chove chuva
Chove sem parar. Santa Catarina naufragou. Para onde vão os argentinos nessas férias?
A combinação de jornalismo e humor, críticas ácidas e pertinentes,
fazem do CQC a novidade da vez na TV brasileira
Quando Marcelo Tas incorporava o irreverente repórter Ernesto Varela, nos anos 80, certamente ele não imaginava que, em 2008, o mesmo estilo de performance voltaria a fazer sucesso. Atormentar políticos, artistas e outras personalidades com perguntas constrangedoras, incomuns, mas sempre pertinentes, faz parte da fórmula simples e eficaz, que soma humor ao jornalismo e serve de base para a existência do Custe o que custar, ou CQC, programa que vai ao ar toda segunda, às 22h45, na Band.
O formato, importado da produtora Eyeworks Cuatro Cabezas, da Argentina – onde se chama Caiga quien caiga (Caia quem cair) e foi exibido pela primeira vez em 1995 – já foi exportado e é sucesso em dezenas de países em todo o mundo.
Aqui no Brasil, Marcelo Tas comanda a atração no centro de uma bancada: ao seu lado esquerdo está Marco Luque e, no direito, Rafinha Bastos, que também apresenta o quadro “Proteste Já!”, no qual ele mostra problemas da comunidade, como a dengue, o tratamento de esgoto e o transporte público precário para crianças. Na maioria das vezes, Bastos cobra providências de uma autoridade competente acerca dos problemas apresentados. Tudo com muito humor e constrangimentos, claro.
Já Marco Luque, o terceiro componente da bancada de apresentação do programa, tem uma participação um tanto quanto misteriosa no CQC. A impressão que se tem é de que ele fica ali exibindo desinformação e roubando a cena de Rafinha Bastos. E rouba mesmo. Rafinha bem que tenta, mas muitas vezes seus comentários soam forçados e arrogantes.
Além dos três, o programa conta ainda com um grupo de repórteres sem-noção, como manda o script, mas que sabem muito bem o que estão fazendo: improvisando. Assim como os companheiros de bancada de Tas, a maioria dos integrantes são atores de comédia Stand Up, ou seja, são especialistas em improvisar, e abusam desse artifício em suas participações. É bem verdade que algumas vezes extrapolam e acabam “pegando pesado” com seus entrevistados. Faz parte.
Entre os quadros de maior sucesso, o extinto “Repórter Inexperiente”, interpretado por Danilo Gentili, certamente foi o que mais chamou atenção, pelo menos no começo da atração. Como o próprio nome diz, Gentili fingia ser um repórter supostamente inexperiente, cheio de trapalhadas e perguntas indiscretas aos seus entrevistados – que foram desde o Padre Marcelo Rossi até a Gretchen. Depois do sucesso do programa, o quadro naturalmente foi extinto, pois Danilo Gentili já não é mais irreconhecível.
Outros quadros de sucesso como o “CQTeste”, que calcula o Q.I. das celebridades por meio de um questionário feito por Rafael Cortez, e o “Top Five”, que escancara os cinco piores (ou melhores) erros da TV brasileira na semana, colaboram para a boa audiência do programa, que inclusive dobrou os antigos índices da Band no horário.
CQC é uma combinação esperta de humor e jornalismo. Quase um “neo-Pânico na TV”, comparação, aliás, refutada pelos seus integrantes: “Eles fazem caricatura, são humoristas”, define Marcelo Tas, “nós não temos e nem é esse o objetivo. Para nós, o humor tem que surgir da ação do entrevistado, não de nós mesmos”. Ele pode ter razão, mas assim como o Pânico vem perdendo um pouco de sua graça, o CQC tem de tomar cuidado para não ir para o mesmo caminho, custe o que custar.
Ernesto Valera
Para quem não conhece, eis o repórter irreverente interpretado por Marcelo Tas nos anos 80:
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[Da série 'Trabalhos de faculdade que viram textos de blog']